Teoria queer e educação

Autores/as

  • Marcelo Blanck Escola de Educação Básica Padre José Maurício, Blumenau, SC, Brasil
  • Celso Kraemer Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil

Palabras clave:

escola; diversidade; diferença; teoria estranha; pedagogia queer.

Resumen

O presente artigo pretende discutir/tencionar as possibilidades que se abrem para buscar diminuir os preconceitos/violências/invisibilidades presentes na escola. A partir da primeira etapa do processo de investigação, que se apresentou como uma pesquisa mais ampla, o buscar novas alternativas entre as práticas pedagógicas no intuito de diminuir os efeitos da normalização/docilização dos corpos, tem como objeto a Teoria Queer e educação. A Teoria Queer significou um novo momento para as discussões sobre as diversidades, marcadamente sexualidade e gênero. As instituições educacionais caracterizam-se pela regulação por meio de normas, enquanto dispositivos de controle das condutas. Violências, exclusões e silenciamentos, frequentes em biografias, relatos e reportagens, denunciam os preconceitos nas práticas institucionais. A pesquisa utiliza o método de revisão documental (artigos, livros, teses e dissertações) no intuito de encontrar nesta literatura, experiências que possam vir a sustentar o valor prático do uso de novas tecnologias/saberes, propondo investigar quais possibilidades se abrem com a Teoria Queer para a educação escolar, sobre a ótica das diversidades. O objetivo geral da pesquisa é identificar relações entre Teoria Queer e Pedagogia Queer para enfrentar os binarismos dominantes em Educação. Os objetivos específicos são: a) analisar alguns conceitos da Teoria Queer que podem contribuir no enfrentamento do binarismo predominante nas escolas e b) explicitar a Pedagogia Queer enquanto um processo de quebra dos binarismos no contexto educacional.  Metodologicamente, a pesquisa desenvolve-se pela análise qualitativa, de cunho bibliográfico. Os resultados da pesquisa indicam que os estudos queer, tanto no que concerne à Teoria Queer quanto à Pedagogia Queer ampliam os entendimentos acerca das diversidades nos processos educacionais no combate aos preconceitos.  Concluiu-se que a proposta possa considerar que o estudo/observação/experiência da realidade escolar venha a desenhar novas metodologias que dialoguem com o processo de movimentos na escola, e assim, possibilitar um olhar sensível às diferenças e possa entendê-las como condição de existência, abrindo-se ao incerto e às fagulhas criativas. Por fim, inferiu-se, com esperança no devir, onde as vivências e experiências ético-políticas permitam alargar as possibilidades de tratar as questões de gênero e sexualidade, de forma a tentar interromper a produção de corpos-generificados de maneira binária.

Biografía del autor/a

Marcelo Blanck, Escola de Educação Básica Padre José Maurício, Blumenau, SC, Brasil

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7859-2574  Mestrando no Programa de Pós-graduação em Educação na Universidade Regional de Blumenau - Santa Catarina (FURB). Graduado em História pela Universidade Regional de Blumenau- FURB (1998). Possui pós-graduação na área de Psicopedagogia, pela Universidade Para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí- UNIDAVI (2005). Participou do Teacher Training Students, Japão (MEXT), na Kobe International University of Education – Metodologia do Ensino de História/Imigração e construção histórico-cultural (1999- 2001). Integrante do Núcleo de Estudos da Diversidade de Gênero e Sexualidade - Vozes Livres (FURB), colaborador do Observatório do Ensino Médio de Santa Catarina e bolsista do PROESDE. Participou como membro de Banca de TCC do Curso de Psicologia na FURB. Professor de História da Rede de Ensino Público do Estado de Santa Catarina. Professor do Componente Curricular/Eletiva: Estudos e Projetos Culturais no Novo Ensino Médio. Principais linhas de interesse: Educação, História, Teoria Queer, Pedagogia Queer, Psicanálise, Sociologia e Filosofia.

Celso Kraemer, Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, SC, Brasil

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2406-9638Licenciado em Filosofia pela UNIFEBE de Brusque (1990), mestrado em Educação pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (2003) e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Professor titular da Universidade Regional de Blumenau desde 1991, lotado no Departamento de Ciências Sociais e Filosofia e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação, atuando área de Filosofia da Educação, Epistemologia da Educação. Docente na Faculdade São Luiz desde 2002. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, capacitação docente, ética e política, e história da filosofia. Experiência em Coordenar o PIBID Interdisciplinar em Direitos Humanos. Coordenador do Comitê Gestor do Pacto Universitário dos Direitos Humanos na FURB. Líder do Vozes Livres: Núcleo de Estudos da Diversidade de Gênero e Sexualidade - FURB e Líder do Grupo de Pesquisa Saberes de Si, vinculado ao PPGE/FURB. Pesquisa a temática da filosofia contemporânea, da sociedade, da educação de gênero e sexualidade, pensamento Queer.

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Polyphōnía: Rev. Educ. Inclusiva, Santiago, v.5, n.2, p.60-91, ago./dic. 2021-e-ISSN: 0719-7438.

Publicado

2021-08-01

Cómo citar

Blanck, M., & Kraemer, C. (2021). Teoria queer e educação. Polyphōnía. Revista De Educación Inclusiva / Polyphōnía. Journal of Inclusive Education, 5(2), 60-91. Recuperado a partir de https://revista.celei.cl/index.php/PREI/article/view/412